IA

IA Agêntica em 2026: Como os Agentes Autônomos estão Moldando a Nova Cibercultura Corporativa

Se em 2023, o ChatGPT toma conta dos noticiários de tecnologia, o ano de 2026 promete ser da IA agêntica.  

Com os agentes de IA, talvez estejamos vivendo o maior salto da computação! Estes sistemas não são meros respondedores de perguntas. Eles partem para a ação e executam tarefas repetitivas digitais em massa.

Sabe aqueles filmes de ficção nos quais com um comando você faz a tecnologia realizar uma série de atividades?

Essa tende a ser uma realidade da IA agêntica. Enquanto ela trabalha, sobra tempo livre, seja ao humano descansar ou se dedicar nas atividades estratégicas que movem destinos.

Qual a diferença entre chatbot tradicional, generativo e IA agêntica?

Na década de 60 do século XX surgem os primeiros chatbots tradicionais. Esta tecnologia funciona com base no conceito de árvore de decisão fixa. Por exemplo, se o usuário digitar “A” o sistema responde “Y”, operando de forma determinística.

Uma exemplificação relevante, o ALICE simplificou a criação de bots e fez sucesso como base de assistentes virtuais, no início do século XXI.

Embora as tecnologias não sejam parecidas tecnicamente, os chatbots tradicionais motivam a criação de chatbots com IA generativa. Neste caso, o principal exemplo é o Chat GPT, responsável por em escala global democratizar a IA.

Ao contrário dos chatbots tradicionais, o Chat GPT não funciona com respostas pré-programadas. Na prática, o funcionamento considera o contexto da conversa, para gerar palavra por palavra, em tempo real, graças à tecnologia de previsão estatística sequencial.

Globalmente, o Chat GPT é o modelo de Linguagem de Grande Escala (LLM) mais influente. Para aprender, ele usa a técnica deep learning (aprendizado profundo), com massivas quantidades de textos online.

Significado de IA agêntica

A Inteligência Artificial agêntica é a recente moda da IA. Em vez de apenas responder perguntas ou resumir dados como o Chat GPT, ela age de um modo mais ativo, capaz de também:

  • acionar fluxos de trabalho;
  • colaborar com outros agentes de IA;
  • realizar tarefas complexas.

O conceito de IA agêntica orquestra os agentes de IA, sistemas que percebem o ambiente, analisam e deliberam autonomamente, para cumprir objetivos específicos.

Nos dias de hoje, a maioria dos agentes de IA opera com LLM como cérebro no intuito de processar as informações, mas possui um corpo inteiro com ferramentas diferentes para agir de forma não determinística, dependendo da maneira como é construída.

O impacto da IA agêntica na produtividade do trabalho digital

A IA agêntica vai além de só responder perguntas. Por exemplo, no escritório, uma secretária pode solicitar com simples comandos ao agente de IA realizar ações como:

  • marcar reunião;
  • avisar aos participantes a hora e o local;
  • limpar informações de dados brutos;
  • passar as informações limpas para CRM e ERP;
  • montar uma apresentação;
  • alugar a sala para a reunião;
  • realizar o pagamento para o dono da sala;
  • comprar o café e pedir para a cafeteria entregar no horário da reunião;
  • checar a identidade dos participantes antes de liberar a sala;
  • realizar a apresentação;
  • coletar a opinião de cada participante a respeito do que foi apresentado;
  • enviar um resumo do encontro aos participantes, após a reunião.

Praticamente, as tarefas para a coordenação que levam muito tempo podem ser feitas de modo automático. Vamos para outro exemplo:

  • analisar o pedido de um cliente no e-mail;
  • extrair dados,
  • avaliar o estoque;
  • confirmar a venda;
  • verificar o pagamento;
  • gerar a nota fiscal;
  • preparar a logística para a entrega;
  • informar sobre a data para entregar;
  • mapear o posicionamento geográfico do entregador;
  • receber a confirmação da entrega;
  • enviar e-mail de agradecimento;
  • enviar e-mail que pede o feedback da experiência com o produto;
  • juntar e-mails com todos os feedbacks e realizar relatórios;
  • identificar um problema com o produto conforme os feedbacks e marcar a reunião, com os diretores, para tratar do assunto.

O céu é o limite, ao menos na expectativa do hype no momento, sobre o desempenho da IA agêntica em 2026. Tarefas deste tipo podem englobar todos os serviços digitais, desde áreas como marketing até serviços no escritório de advocacia.

Além do mais, os desenvolvedores conseguem criar diversos agentes de IA para interagirem entre si e com databases, enquanto realizam tarefas diferentes, formando uma cadeia produtiva pronta para a ação.

Conforme Michael Chui, doutor em ciência da computação e ciência cognitiva pela Universidade de Indiana:

Já tínhamos robôs em fábricas e softwares que os controlavam há décadas. Mas agora temos essa combinação de IA, aprendizado de máquina e grandes redes neurais ou modelos fundamentais capazes de realizar ações no mundo real, seja coletar informações, realizar transações ou concluir processos complexos.

Basicamente, se na IA generativa você consegue criar uma foto, com a IA agêntica, além da criação, sem sair da mesa de trabalho, enviamos o retrato para o emoldurador, pagamos pelo serviço de colocar em um quadro de vidro, contratamos algum profissional para buscar o trabalho e depois pendurar o quadro no nosso escritório.

A solução agêntica para o atendimento ao cliente

Uma das dificuldades de sistemas anteriores é o atendimento ao cliente. As empresas usam bots para estabelecer diálogos, na finalidade de resolver problemas de consumidores, cordialmente.

Mas, quase sempre a linguagem não soa humana, assim como os problemas complexos dificilmente são solucionados.

Como resultado, clientes sentem frustração e reduzem a percepção de valor da marca. Rapidamente, os negócios voltam a usar atendentes humanos.

Entretanto, conforme o hype, a IA agêntica promete resolver este problema e qualificar o atendimento, pois pode:

  • atender com empatia;
  • responder perguntas de uma forma natural;
  • acessar com profundidade o database da empresa para solucionar complexidades; 
  • enviar entregas;
  • realizar reembolsos e processos de devolução.

O futuro do trabalho com IA agêntica

Normalmente, quando surge uma nova tecnologia impactante, também emerge a velha preocupação quanto ao futuro dos empregos. Até que ponto os postos de trabalho humano estão seguros com a ascensão da IA agêntica?

Não podemos negar que esta tecnologia vai aumentar a produtividade econômica. Assim, desde que estejam qualificados, os humanos devem estar empregados. Por certo, o que deve mudar é como lidamos com as jornadas laborais.

Por exemplo, esta mudança laboral é perceptível no mercado de desenvolvimentos de softwares:

  • Antes, desenvolvedores se preocupavam mais em desenvolver códigos. 
  • Hoje, a preocupação central tende a ser no gerenciamento destes códigos desenvolvidos para a IA, mesmo porque cada linha representa um risco

Quem sabe um dia, todas as tarefas digitais simples e repetitivas possam ser delegadas aos agentes de IA, enquanto os humanos se preocupam com atividades estratégicas.

Segurança e governança em sistemas de agentes autônomos

Essencialmente, para ter mais segurança e governança em sistemas de agentes autônomos, vale a pena investir na rastreabilidade. Isto é, assegurar o registro de cada tomada de decisão dos agentes de IA. Deste modo, a qualquer momento, um humano pode intervir ou auditar.

Ademais, camadas de autenticação são indispensáveis. Deste modo, os agentes apenas executam tarefas às quais são designados, com base em rigorosos protocolos.

Não menos importante, para evitar ações ou vieses algoritmos que violem a privacidade dos usuários, limites claros de atuação devem ser definidos com uma dedicada governança digital.

Cuidado: Às vezes menos é mais

Com a ascensão de novas tecnologias, a tendência é que todos os negócios de mindset inovador queiram usar as mesmas para tudo, até para martelar um prego em uma parede a fim de pendurar o quadro.

No entanto, se algo funciona bem, em conformidade, talvez seja melhor continuar com sistemas pré-programas e determinísticos, para obter o mesmo resultado, sempre, em vez de arriscar com a complexa IA agêntica indeterminista. 

Em algumas situações simples, não parece lógico investir na abordagem complexa que envolve a utilização dos avançados agentes de IA. É como usar um fuzil para matar uma mosca!

Por exemplo, a prestação de contas ou a avaliação de crédito. Se os colaboradores usam sistemas determinísticos, planilhas e sempre funciona de modo correto, mudar para quê?

Será que o ganho de tempo vale o alto investimento não apenas nos agentes como também na segurança e governança deles?

É necessário escalonar

Por mais que vivemos em uma época de expansão da Inteligência Artificial agêntica, não há como abrir mão dos níveis de escalonamento, principalmente no atendimento ao cliente.

Imagine se um agente de IA não responder questões inesperadas, cujas respostas inexistem na base de dados?

Portanto, na nova cibercultura corporativa, ainda vale a regra para assegurar o processo:

  • atendimento “nível 1” com agente de IA;
  • atendimento “nível 2” com um governante humano que conhece muito bem o negócio.

Pense, perder o principal cliente de seu empreendimento que é bem exigente e não gosta da performance ineficiente do robô atendente?

Considere que por entender melhor as relações humanas, mesmo que não saiba a resposta, o humano experiente no atendimento tem mais sensibilidade, para encontrar uma solução harmônica, nos momentos de tensão da vida corporativa.

Time de agentes de IA e necessidade de agentic mesh

Agentic mesh (malha agética, tradução livre) consiste em um recurso arquitetônico capaz de maximizar o reuso de diversas capacidades, para impulsionar fluxos de trabalhos de agentes de IA, conforme indica Stephen Xu, diretor sênior de gestão de produtos da Mckinsey, de Toronto.

Como líder de negócio, empolgado com o hype, você cria um time de agentes de IA para cada setor, incentivados a se conectarem a fontes de dados comuns para criar soluções constantemente. 

Entretanto, com esta ininterrupta criação sem malha agética, cedo ou tarde deve existir uma acumulação de dívida técnica, cujo gerenciamento deve ser custoso e de difícil execução.

Mas, com o compartilhamento do que foi desenvolvido, em uma estrutura que tem malha agética, há prioridade nas operações de descoberta e reuso entre os agentes, o que além de otimizar o desempenho operacional facilita a gerência do líder humano.

Desta forma, se você quer montar um grupo de agentes de IA com mais segurança e governança, deve considerar o investimento em algum substrato tecnológico que facilite a comunicação e coordenação.

Chave do sucesso: Equilíbrio entre oportunidade e risco

Há riscos que se associam ao desenvolvimento de times de agentes de IA que interagem entre si. Algumas exemplificações:

  • falta de determinismo: os resultados são variados;
  • alucinações: opiniões que não são verdadeiras, embora expressas com convicção pelos agentes de IA;
  • pouca empatia com humanos, como, os clientes;
  • os agentes de IA podem ficar presos a ciclos que não funcionam tecnicamente;
  • um erro técnico que compromete toda a cadeia produtiva agêntica.

Para reduzir os riscos, convém o uso de tecnologias de proteção. O monitoramento contínuo é essencial. Também vale o emprego de sistemas que identificam linguagens inadequadas, nomes de concorrentes, entre outros elementos indesejados.

Imagine que após ser questionado sobre algum serviço, o robô informa que na empresa está indisponível, mas indica um concorrente ao cliente? Talvez isso seja evitável, com sistemas dedicados de monitoramento que também funcionam por IA agêntica. Talvez, não!

Uma máxima entre alguns desenvolvedores é que a IA tende a ser mais efetiva na identificação de algo incorreto do que nas execuções de algo correto.

Porém, ao colocar um sistema LLM para vigiar outro que você não confia, quem garante que este vigilante também seja confiável? Efetivamente, cedo ou tarde, chega o momento no qual precisamos da avaliação humana para encabeçar o processo.

Enfim, equipes humanas de riscos jurídicos e tecnológicos ainda são imprescindíveis, para assegurar desde a escolha dos fornecedores ideais até de códigos proprietários ou abertos.

Contudo, podemos confiar na humanidade? Bom, é mais fácil entrar em litígio contra um colaborador humano desonesto do que reivindicar nosso direito legal contra o agente de IA, ao menos por enquanto.

Considerações finais

Em 2026, a IA agêntica é a onda do momento, praticamente todas as empresas com mindset inovador desejam esta solução. Ao contrário da tecnologia generativa que responde perguntas e resume dados, os agentes de IA partem para a ação.

Os fluxos de trabalho digital repetitivos são reduzidos para os humanos, em virtude da IA agêntica, capaz de realizar múltiplas tarefas e até de formar equipes de agentes que interagem entre si. 

Apesar disso, o uso desta tecnologia não pode ser feito de qualquer maneira, movido pelo entusiasmo, sem a devida prudência em governança ou segurança.

Sem uma equipe humana para avaliar os riscos e estabelecer estratégias seguras, o seu negócio com robôs de IA agêntica pode ficar em xeque. Agentes autônomos estão na moda, mas exigem seriedade operativa.

Leia mais

Fontes consultadas

MCKINSEY.COM. Agentic AI explained: When machines don’t just chat, but act. Disponível em: https://www.mckinsey.com/featured-insights/mckinsey-explainers/agentic-ai-explained-when-machines-dont-just-chat-but-act

AWS.AMAZON.COM. O que é grande modelo de linguagem (LLM)? Disponível em: https://aws.amazon.com/pt/what-is/large-language-model

MEDIUM.COM. How ChatGPT Was Introduced to the World: A Historical Study of Conversational AI. Disponível em: https://medium.com/@cispro/how-chatgpt-was-introduced-to-the-world-a-historical-study-of-conversational-ai-e881a0035099

CLOUD.GOOGLE.COM. O que é IA agêntica? Disponível em: https://cloud.google.com/discover/what-is-agentic-ai?hl=pt-BR

Imagem de capa: Pixabay.com; flutie8211

Renato Duarte Plantier

Jornalista que atua como redator jornalístico e publicitário, com foco em tecnologia. Possui diversos trabalhos publicados em sites de notícias tecnológicas, além de uma ampla experiência nas campanhas publicitárias B2B e B2C. Profundo estudioso da cibercultura, curioso sobre os impactos sociais do uso de recursos tecnológicos. Defende a popularização da IA como uma ferramenta que deve contribuir para o desenvolvimento humano. Apaixonado por ficção científica.

4 comentários sobre “IA Agêntica em 2026: Como os Agentes Autônomos estão Moldando a Nova Cibercultura Corporativa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *