Jiang Xueqin no Youtube: principais previsões do chinês para os próximos anos
Assistir previsões de Jiang Xueqin no Youtube não é só um passatempo, mas uma forma de tentar se preparar às utopias ou distopias do futuro. Com base na teoria dos jogos e nas repetições de padrões históricos para prever o amanhã, hoje em dia o professor tem uma alta reputação mundial.
Algumas pessoas pensam que o Jiang no Youtube é uma IA (Inteligência Artificial). Outros o consideram um espião chinês. Existem até as crenças de que ele na verdade representa algum espião secreto do Mossad.
Não faltam teorias, sejam àquelas que explicam como Jiang surge do nada para influenciar na vida de parte da humanidade, seja pelas previsões surpreendentes que ele acredita ser a verdade futura.
Previsões de Jiang Xueqin no Youtube
Diversas previsões do chinês têm uma relação direta com tecnologia, IA e cibercultura. Além disso, ele é um dos poucos especialistas que apostaram na reeleição de Donald Trump, no momento em que o líder norte-americano sofria um bombardeio de ações judiciais.
Antes, Xueqin era uma piada online, tido como um conspiracionista. Hoje, graças aos acertos das análises, a credibilidade do professor é crescente, ao ponto de ser considerado um verdadeiro influenciador, na medida em que também cresce o número de adversários que tentam descredibilizar as palavras dele.
Tecnomarxismo: A IA cada vez mais vigilante
Talvez, o professor chinês seja o primeiro intelectual a cunhar o termo tecnomarxismo. Para ele, este conceito significa que as grandes nações devem ser mais totalitárias e investir forte em IA, a fim de vigiar a população.
Isso não significa apenas a presença de câmeras massivamente, por todos os cantos. Na realidade, a perspectiva de Xueqin é profunda e econômica. No futuro não distante, o dinheiro deixa de existir e uma tecnologia de tokens digitais surge para viabilizar as transações financeiras.
Por causa desta tecnologia, o governo vai rastrear e saber tudo o que cada cidadão recebe, compra ou vende. Além disso, caso alguém não siga as leis, então pode ser punido com o bloqueio da conta de tokens, ficando impossibilitado de comprar comida, pagar aluguel ou realizar outras atividades financeiras básicas de subsistência.
De certa forma, este modelo já é real em parte do mundo e tem tudo para florescer nos próximos 20 anos, conforme o professor chinês.
Por exemplo, o Sistema de Crédito Social da China que funciona com reconhecimento facial e serve para punir ou recompensar cada cidadão, socialmente, segundo padrões de comportamentos revelados por dados. Veja o funcionamento punitivo deste recurso tecnológico:
- os dispositivos de reconhecimento facial trabalham de forma ativa, nos monitoramentos constantes nas ruas chinesas, bancos, instituições públicas, caixas de lojas, entre outros locais, para identificar a pontuação de cada cidadão e bloquear pagamentos ou acessos a produtos e/ou serviços;
- assim, se a média de pontos é baixa, talvez não seja possível comprar ou receber valores;
- logo, ao criticarmos o governo, no dia seguinte podemos estar com pontuação baixa, conta bloqueada e muitos problemas sociais.
Conforme o professor Jiang Xueqin:
Com o controle dos recursos, o governo precisa apenas apertar um botão para cancelar a vida social das pessoas contrárias ao sistema.
Além do mais, em Londres ou nos portões dos estádios de futebol de São Paulo, existe o sistema de reconhecimento facial, que embora apresente certas falhas, recebe aperfeiçoamentos constantes, para identificar criminosos procurados pela justiça.
Mas, da noite para o dia, este mesmo sistema pode ser usado para o controle social com base em pontuações, nas duas cidades e em outras partes do mundo, como na China.
Na atualidade, podemos observar o florescimento de diversas ferramentas de controle por IA, Em breve, todas as melhores soluções tecnológicas do tipo devem integrar um único sistema vigilante, dedicado e em tempo real que funciona a favor do Estado e define o destino de cada pessoa.
Divisão de classes no tecnomarxismo
A divisão de classes vai intensificar. Para se manter na posição de dominante e prosperar constantemente, com IA a burguesia deve reduzir a dependência de tempo e humanos nos trabalhos.
Por sua vez, a população pobre continuará com o uso de IA para tarefas básicas e repetitivas, com poucas chances de ascensão social. Assim, a distância socioeconômica entre as duas classes pode aumentar.
Volta para o campo e ascensão do trabalho braçal
Outra das previsões de Jiang Xueqin no Youtube é o fim ou a redução do capital especulativo. Podemos esperar quedas na lucratividade de Bolsa de Valores, investimentos bancários, casas de apostas, entre outras atividades especulativas.
Até a geração de conteúdo para a internet e outras formas de trabalhos digitais têm tendência para a queda nos ganhos. Em contrapartida, Jiang considera que os serviços braçais, tanto na produção dos próprios alimentos como de outros ativos físicos no campo, deve ser o melhor caminho para o lucro no futuro.
Neste cenário, diversas populações devem voltar para o campo e abandonar as cidades, um comportamento que costuma a acontecer ao longo da história humana, em épocas de crises econômicas nas regiões mais povoadas, conforme a análise da Teoria dos Jogos de Jiang Xueqin.
Há poucas décadas atrás, o senso comum acreditava que o trabalho braçal estava ultrapassado e que mais avanço tecnológico significava maiores chances de ganhos financeiros. Mas, para o chinês, em termos de sobrevivência, o que deve acontecer é o inverso e a desurbanização pode ser tendência.
Com o avanço da IA, diversos trabalhos intelectuais geram menos renda do que certas atividades braçais, já hoje em dia. Por exemplo, não é incomum que o técnico contratado para arrumar um ar-condicionado ganhe mais do que a maioria das pessoas que trabalha no escritório refrigerado.
Fuga para o Norte
Enquanto que em alguns países, massas de trabalhadores devem seguir para o campo, no aspecto global, o chinês também prevê uma migração massiva de populações do Norte para o Sul do globo terrestre, para sobreviverem à escassez do futuro.
Assim, a demanda ainda deve ser crescente de pessoas dispostas a migrarem aos Estados Unidos e à Europa, o que acirra ainda mais as relações com os nacionalistas de ambas as regiões.
Fim do petrodólar e da hegemonia econômica dos americanos
Está com os dias contados o mundo global pós-queda do Muro de Berlim, nos quais os Estados Unidos estavam no controle financeiro.
Para o chinês, a própria guerra com o Irã representa uma evidência deste declínio do poderio americano e do dólar como moeda globalizada. Em 2024, Jiang previu o ataque americano ao Irã, sendo que a perspectiva dele é que os americanos devem invadir o país por terra.
No conflito do Oriente Médio, diversas nações aliadas históricas dos americanos se recusaram a participar da empreitada com os Estados Unidos. Como resultado, também pelas dificuldades em atacar o terreno iraniano montanhoso, as tropas americanas devem começar a perder a guerra e assim abandonar a região.
Consequentemente, os países vizinhos no Oriente Médio tendem a retomar negociações com o Irã para se adequarem à nova realidade do mercado petrolífero.
Neste contexto, em um cenário no qual ⅕ do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, o sistema petrodólar pode colapsar. Ou seja, o dólar não deve ser a única moeda aceita para a negociação deste ativo, o que reduz a influência norte-americana na economia.
Contudo, Jian alerta que o fim ou o enfraquecimento do petrodólar talvez demore décadas para acontecer, com resultados difíceis de presumir. Aliás, a previsão é que o conflito Irã x EUA dure muitos anos, assim como a batalha Rússia x Ucrânia.
Fortalecimento do nacionalismo e dos investimentos bélicos
Em um mundo com mais perspectivas de guerras, o chinês considera que o nacionalismo pode ganhar força, também como ideologia para convencer a juventude sobre a necessidade de participar dos conflitos, na finalidade de defender as nações.
Países que há pouco tempo tinham uma conduta pacífica em termos constitucionais começam agora a investir mais em defesa militar, por exemplo, Alemanha e Japão, ambos derrotados na Segunda Guerra Mundial.
Índia, Polônia e Coreia do Sul também estão entre os países que cresceram investimentos para a defesa militar, aceleradamente. Deste modo, há uma certa expectativa para o começo da Terceira Guerra Mundial, se é que ela já não começou.
Com o enfraquecimento da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e as incertezas de que americanos consigam proteger aliados, cada nação começa a investir recursos para potencializar a autodefesa.
Donald Trump afirma que as nações europeias devem defender os próprios navios no Estreito de Ormuz, sem a ajuda dos americanos, o que acende o alerta sobre a necessidade dos aliados na Europa investirem mais em defesa.
Em resumo, Jiang acredita que deve começar uma corrida armamentista global que por consequência pode redesenhar o cenário geopolítico do mundo.
Mais fechamento dos blocos econômicos
O livre-comércio global está em xeque. A era na qual o melhor preço definia a relação comercial tende a se enfraquecer consideravelmente.
Se antes, empresas americanas abriram negócios na China para aproveitar a mão de obra barata, agora Trump prefere pagar pelo retorno destes empreendimentos aos Estados Unidos.
Trump impõe taxas pesadas para chineses ou outros países, os europeus estão fechando o cerco com medidas para reduzir a dependência de produtos asiáticos, a China quer mais independência ao reforçar laços com o BRICS+ e assim por diante.
Na prática, os fechamentos dos blocos econômicos buscam uma maior autossuficiência dos recursos estratégicos: minerais, alimentos, energia, petróleo, entre outros. Tais recursos devem ser a moeda mais forte na economia do futuro.
Aumento de guerras e distopia social
Com o fim da hegemonia global norte-americana, menos abertura comercial em busca de autossuficiência tecnológica e mais investimentos na autodefesa, não é de se surpreender com o fato de que Jiang Xueqin no Youtube considere o crescimento das guerras como uma inclinação futura.
As cadeias de suprimentos devem se fragmentar, ao passo que o petróleo e a energia podem encarecer. Como resultado, a fome talvez cresça a nível global.
As elites não devem ter condições financeiras para manter os salários de trabalhadores, de modo que a escravidão e outras formas antigas de sistemas talvez voltem ao mundo, principalmente em regiões como Oriente Médio, África e Sul da Ásia.
Os futuros escravos podem se rebelar contra seus proprietários, o que resultaria em novas guerras civis, além dos conflitos entre blocos comerciais por recursos estratégicos..
O chinês prevê guerras civis nos Estados Unidos e em outros países também por causa da migração massiva e pela insistência de as gerações mais velhas, que acumularam capital no passado e que hoje vivem mais, se recusarem a entregar o poder político às novas gerações.
Paz entre Israel e Irã
Esta é uma das previsões surpreendentes. O senso comum acredita que, com a perspectiva de que os Estados Unidos se fechem para resolver os próprios problemas e com a saída norte-americana do Oriente Médio, Israel e Irã poderiam entrar em uma guerra sem precedentes.
Mas, Jiang acredita que, neste cenário, as duas nações se posicionariam de uma forma pragmática. Ambos os países perceberiam o alto custo de manter o conflito capaz de enfraquecer as próprias sobrevivências, de modo que entrariam em acordo para acabar a guerra e dividir o domínio do Oriente Médio.
Vale lembrar que na antiguidade, a história registra um longo período de tolerância e convívio pacífico entre as duas nações, embora a mídia costume não relembrar este fato, privilegiando a cobertura sensacionalista conflituosa.
Imagem de capa: The Jiang Academy
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Fontes consultadas
YOUTUBE.COM. ProfJiangBrasil. Disponível em: https://www.youtube.com/@ProfJiangBrasil
IME.USP.ORG. Uma Introdução à Teoria dos Jogos. Disponível em: https://www.ime.usp.br/~rvicente/IntroTeoriaDosJogos.pdf
IEA.ORG. Strait of Hormuz Factsheet. Disponível em: https://www.iea.org/about/oil-security-and-emergency-response/strait-of-hormuz
JUSBRASIL.COM.BR. O tabu sobre “trabalho intelectual” e “trabalho manual”. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/o-tabu-sobre-trabalho-intelectual-e-trabalho-manual/1353723033
ESTADAO.COM.BR. Cada ameaça de Trump abandonar a OTAN enfraquece a aliança. Disponível em: https://www.estadao.com.br/internacional/ameaca-trump-abandonar-otan-enfraquece-alianca/?srsltid=AfmBOooHHmkLuzYI9IyY6ws9tN1Iyz4mTtz8F7VszAHbrSvi73TSbYsk
ENGLISH.ELPAIS.COM. Barbara F. Walter, civil conflict expert: ‘I see Trump provoking a foreign war to force a third term’. Disponível em: https://english.elpais.com/usa/2025-06-01/barbara-f-walter-civil-conflict-expert-i-see-trump-provoking-a-foreign-war-to-force-a-third-term.html
FUNDACAOFHC.ORG.BR. Futuribles. Sistema de Crédito Social da China. Disponível em: https://fundacaofhc.org.br/arquivos/Futuribles2/Ed03/Futuribles_PT_ED_03_A01_Osistemadecreditochines.pdf

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